Como se Organizar para Viajar para a Rússia

Avatar de Igor Borges

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Mesmo hoje, com vídeos, vlogs, stories e relatos de turistas circulando na internet com mais frequência, a Rússia ainda parece distante para muita gente. Não apenas distante no mapa, mas também como se fosse uma realidade completamente longínqua.

Existe muito ruído quando o assunto é Rússia. Um misto de curiosidade, receio e informações desencontradas. E, quase sempre, esse ruído vem mais da mídia do que da realidade.

Eu percebo isso sempre que alguém me escreve dizendo algo como:
“Tenho muita vontade de ir, mas fico inseguro”,
ou
“Não sei nem por onde começar”.

Se você se reconhece nisso, este texto é para você.

Não é um guia definitivo. Nem um texto turístico cheio de imagens lindas para te encantar. É, antes de tudo, um relato de quem já passou por isso e conhece a realidade russa.

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A Rússia “acontece” o ano todo

Muitos acham que a Rússia é só frio e neve, mas a realidade é que cada estação do ano tem suas próprias características que trazem mudanças no dia a dia.

A verdade é que a vida segue normalmente durante o ano inteiro. Meseus abertos, transporte funcionando, restaurantes cheios e aeroportos lotados. O país não para por conta do clima, e as pessoas se adaptam a cada estação.


1. Quando ir? Depende do que você quer viver

Sempre que me perguntam qual é a melhor época para visitar a Rússia, eu respondo com outra pergunta: o que você espera dessa viagem?

Muita gente sonha com a neve. Ver tudo branco pela primeira vez, sentir o frio de verdade, entender como é viver abaixo de zero. Se esse é o seu imaginário, não tem negociação: o inverno russo acontece entre dezembro e fevereiro.

Agora, se você prefere caminhar mais, usar roupas leves ou simplesmente não gosta de frio, o verão pode ser uma ótima surpresa. Os dias são longos, as cidades ficam mais vivas, e o clima, embora não tropical, pode enganar. Em Moscou, por exemplo, já passei mais calor do que em Fortaleza.

Sim, eu sei… parece exagero. Mas não é. Vou explicar a seguir.

Um detalhe importante: como as grandes cidades estão longe do mar, o clima é continental. Isso significa menos vento e uma sensação térmica que muitas vezes não bate com o número do termômetro. No verão, água é item obrigatório.

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2. Passagem aérea

Hoje, não existem voos diretos do Brasil para a Rússia. Sempre haverá pelo menos uma escala. As rotas mais comuns passam pelo Catar, Emirados Árabes Unidos, Marrocos ou até Cuba.

Pode parecer estranho à primeira vista, mas na prática não é um grande problema, só exige mais planejamento e paciência.

A boa notícia é que, para brasileiros, não existe exigência de visto turístico. Você pode permanecer até 90 dias no país sem visto. Isso já elimina uma grande camada de burocracia.

Aqui, o único cuidado real é garantir que o passaporte esteja válido.

Já trouxemos anteriormente um artigo sobre alguns sites russos que podem facilitar a compra de uma passagem.


3. Cartões e dinheiro

Vou ser direto: se você chegar na Rússia contando com cartão internacional, vai passar perrengue.

Desde que o país foi desconectado do sistema SWIFT, cartões estrangeiros simplesmente não funcionam. Crédito, débito, Visa, Mastercard, nada passa.

O que funciona é planejamento.

Eu sempre recomendo levar euros ou dólares em espécie e trocar por rublos já na Rússia. A partir daí, a vida fica muito mais simples. Com rublos em mãos, você pode:

  • Abrir conta em um banco digital russo, como o Tinkoff (que lembra bastante o Nubank);
  • Usar pagamentos por SPB, algo parecido com o PIX;
  • Ou simplesmente pagar tudo em dinheiro, o que já deixou de ser comum por aqui.

Portanto, a melhor dica é não trazer real de maneira alguma. Dificilmente será possível encontrar alguma casa de câmbio que aceite, e se encontrar, a taxa de conversão vai ser bem desfavorável.

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4. Documentos que realmente importam (e que ninguém explica direito)

4.1 Cartão de imigração

Assim que você entra na Rússia, recebe um cartão de imigração. Ele é pequeno, simples e extremamente importante. Deve ser preenchido na imigração e guardado junto ao passaporte o tempo todo.

Perder esse papel pode virar uma dor de cabeça desnecessária.

How to fill Migration Card

4.2 A tal da registratsia (Регистрация)

Esse ponto merece atenção especial.

Ao chegar à Rússia, você tem até 7 dias para fazer a registratsia, um documento que informa oficialmente onde você está hospedado.

Se você ficar em hotel, a responsabilidade é deles. Mas eu sempre recomendo: confira e cobre. Esse documento precisa cobrir o período da sua estadia.

Se você muda de hotel, estende a reserva ou vai ficar na casa de alguém, uma nova registratsia precisa ser emitida.

Enquanto você estiver no país, não pode ficar mais de 7 dias sem esse registro válido.


5. Onde se hospedar, já que Airbnb não funciona

Nem Airbnb nem Booking funcionam na Rússia atualmente. Mas isso não significa falta de opções.

As plataformas russas dão conta do recado:

  • ostrovok.ru (inclusive em português)
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  • otello.ru
https%3A%2F%2Fsubstack post media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7e432f1c 997f 419c 89b4
  • travel.yandex.ru
https%3A%2F%2Fsubstack post media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1fcbd5ab c8b2 484b b830
  • sutochno.com
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Muitos hotéis, inclusive, permitem pagamento em dinheiro na chegada, o que facilita bastante para quem não tem cartão local.


6. Internet e celular: simplifique

Desde 2025, estrangeiros precisam passar por um processo biométrico para contratar chip local. Para quem vai ficar pouco tempo, isso simplesmente não vale a pena.

As opções mais práticas são:

  • eSIM internacional;
  • ou roaming internacional contratado ainda no Brasil.

Não é o mais barato, mas evita perda de tempo e estresse.


7. Aplicativos que fazem diferença real

Alguns apps praticamente salvam o dia a dia:

  • Yandex Maps e 2GIS: mapas muito mais precisos do que você imagina, e com os horários do transporte público detalhado.
  • Yandex Translate: traduz texto, áudio e imagens.
  • Telegram ou Max: indispensável, já que o WhatsApp funciona com instabilidade.
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Duas últimas coisas que aprendi na prática

Tenha o contato da embaixada brasileira. Não porque algo vai dar errado, mas porque pode. Na minha primeira viagem à Rússia, perdi o passaporte e precisei emitir outro em Moscou. Ter essa informação à mão fez toda a diferença.

E, por fim: não conte com o inglês. Em alguns contextos ele ajuda, mas, na maioria das vezes, não. Aprender o básico de russo não é obrigatório, mas muda completamente a experiência, da padaria ao metrô. No meu canal do YouTube, tenho uma trilha básica de russo que pode te ajudar a sair do zero e, para quem quer ir um pouco além, também existe o curso completo Decolando no Russo.

Viajar para a Rússia não é um bicho de sete cabeças. O que assusta, muitas vezes, não é o país, mas o excesso de ruído em torno dele. Quando você organiza o essencial, o resto flui.

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